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Mamografia, ultrassom e ressonância: qual exame é indicado para cada mulher e em que idade

Matheus Fragata · outubro 7, 2026 · 5 min de leitura

Mamografia, ultrassom e ressonância: qual exame é indicado para cada mulher e em que idade

Todo ano, quando o Outubro Rosa chega, a pergunta se repete nos consultórios: “qual exame eu devo fazer?”. A resposta é que não existe um exame melhor para todas as mulheres. Mamografia, ultrassom e ressonância magnética têm funções diferentes, e a escolha depende da idade, do histórico familiar e do tipo de mama de cada paciente. Neste Outubro Rosa, vale entender como cada um funciona e para quem é indicado.

Rastreamento e investigação não são a mesma coisa

Rastreamento é o exame feito em mulheres sem sintoma algum, para encontrar o câncer antes que ele possa ser sentido. Já a investigação acontece quando há uma alteração, como nódulo, secreção ou mudança na pele da mama. Os exames podem ser os mesmos, mas a indicação muda.

Mamografia: o exame central a partir dos 40 anos

A mamografia é o exame que, em estudos de grande porte, comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama quando feito com regularidade. Ela detecta lesões muito pequenas e microcalcificações, que podem ser os primeiros sinais da doença e não são palpáveis.

A Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e a Febrasgo recomendam a mamografia anual dos 40 aos 74 anos para mulheres de risco habitual. A partir dos 75, a decisão é individual e considera a saúde geral e a expectativa de vida.

O acesso também melhorou. Desde a Lei 15.284, de dezembro de 2025, o SUS garante a mamografia a todas as mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas. Antes, o foco era a faixa de 50 a 69 anos. A faixa dos 40 aos 49 responde por cerca de 23% dos diagnósticos no país. Quando disponível, a tomossíntese, que é a mamografia em 3D, pode ser associada ao exame convencional.

O que esperar do exame e como entender o laudo

A mamografia usa uma dose muito baixa de radiação. A compressão da mama, que pode causar desconforto, dura poucos segundos e é necessária para que a imagem fique nítida. Sempre que possível, vale agendar o exame na semana seguinte à menstruação, quando as mamas costumam estar menos sensíveis.

O laudo traz uma classificação chamada BI-RADS, que vai de 0 a 6. As categorias 1 e 2 indicam exame normal ou com achados benignos. A categoria 3 indica lesão provavelmente benigna, em geral acompanhada com exames de controle em curto prazo. As categorias 4 e 5 indicam suspeita e exigem investigação, normalmente com biópsia. Já a categoria 0 significa que o exame ficou incompleto e precisa de complementação, como novas imagens ou um ultrassom.

Ultrassom: complemento para mamas densas e aliado das mais jovens

O ultrassom usa ondas sonoras, sem radiação, e diferencia bem um nódulo sólido de um cisto. Mas não enxerga as microcalcificações, por isso não substitui a mamografia no rastreamento da população geral.

Seu papel é complementar. Mulheres com mamas densas, que têm mais tecido glandular e menos gordura, podem ter tumores pequenos “escondidos” na mamografia, porque o tecido denso e o tumor aparecem claros na imagem. Nelas, o ultrassom pode ser associado ao exame. A densidade vem descrita no laudo, e vale perguntar ao médico.

Ele também é a primeira escolha para mulheres com menos de 40 anos que percebem um nódulo, já que a mama jovem é mais densa e a mamografia costuma ser menos informativa.

Ressonância magnética: reservada a quem tem risco elevado

A ressonância é o exame mais sensível para encontrar tumores, mas gera mais alarmes falsos e custa mais. Por isso não é rotina para a população geral.

Ela é recomendada para mulheres de alto risco, como portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e as que têm risco estimado de 20% ou mais ao longo da vida, geralmente por histórico familiar marcante. O acompanhamento anual começa a partir dos 25 anos, ou dez anos antes da idade em que o parente mais jovem foi diagnosticado, respeitando o mínimo de 25. Quem fez radioterapia no tórax, por exemplo, para tratar linfoma, inicia oito anos depois do tratamento. O plano é sempre individualizado.

E antes dos 40 anos?

Para mulheres de risco habitual com menos de 40 anos, não há exame de imagem de rotina. O que vale é conhecer o próprio corpo, manter a consulta ginecológica anual, com exame clínico das mamas, e procurar avaliação diante de qualquer mudança. Quem tem histórico familiar de câncer de mama ou de ovário deve conversar com o médico mais cedo, porque o rastreamento pode ser antecipado.

Exame em dia não dispensa atenção aos sinais

Uma mamografia normal não descarta um nódulo que a própria mulher sente. Se aparecer um caroço, uma secreção espontânea pelo mamilo, retração da pele ou alteração no formato da mama, a investigação deve acontecer mesmo que o último exame esteja em dia, em qualquer idade e em qualquer época do ano.

Existem ainda os tumores que surgem entre um exame e outro, por isso o olhar atento da própria paciente continua sendo parte do rastreamento.

Qual é o seu caso?

Nenhum exame substitui a avaliação individual. Se você não sabe em qual grupo se encaixa, converse com seu mastologista ou ginecologista. O diagnóstico precoce segue sendo o que mais muda o desfecho da doença.